A MAN AND A WOMAN (*)
Um homem, uma mulher…
Uma história de amor como outra qualquer
Duas pessoas, dois mundos
E, no fundo, o amor sobre tudo!
Lados diferentes, lados iguais
Duas contradições quase fatais!
Um homem que é pura paixão;
Uma mulher com muita imaginação!
Duas pessoas com muitas afinidades;
O mesmo dom e uma só coragem!
Uma escreve a realidade,
A outra inventa falsas verdades...
Misturando ficção,
Surge assim uma grande paixão!
Um homem de olhar sedutor...
Quando me olha envolve meu corpo
Numa onda de calor!
Uma mulher que não vive com os pés no chão;
Vive criando mil histórias para fugir da solidão!
Um homem que tem o seu presente,
Uma mulher e um sonho aparente.
No momento, tudo não passa de um amor roubado
De desejos não revelados,
De um momento muito esperado!
Talvez qualquer dia, um encontro marcado,
Um beijo prolongado, o amor consumado!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
Concurso Literário jornal TUDO BEM-Banespa
O poema “A Solidão de Um Homem que Perdeu a Emoção!” foi o trabalho mais votado pelo pessoal da nossa redação, num páreo bem concorrido com outros ótimos trabalhos que recebemos. Solange Otsuka, ao compor frases angustiantemente belas, faz de seu poema um brado de amor, um grito de alerta ao homem que se funde às máquinas e perde seus sentimentos:
“Quero te tocar
Seu corpo inteiro abraçar
Mas és frio como gelo
Não entende meus apelos”
(Da redação do jornal TUDO BEM do Japão)
“Conheci Solange Otsuka no Japão, quando lá trabalhava como sucursalista do jornal Folha Mundial. Assim, a primeira coisa que precisa ser dita a seu respeito é que, para entender a poesia dessa mulher batalhadora, tem que estar dentro de um contexto geográfico, o do Japão. Só mesmo quem viveu a dura vida de dekassegui é quem consegue assimilar plenamente sua poesia. (Levi F. Araújo)
A SOLIDÃO DE UM HOMEM QUE PERDEU A EMOÇÃO (*)
Você, que chega aqui trazendo no peito
Toda certeza de dias perfeitos;
Que traz nos olhos toda a coragem
De um homem que enfrenta a sua verdade;
Que luta o dia-a-dia incansável, imbatível...
Dura realidade!
Na longa jornada de trabalho,
Na triste solidão desse apato
A frieza, a indiferença das máquinas que você controla,
E as duras horas extras que te apavora...
Homem solitário, será que vale a pena tanta renúncia
E sentir-se tão deslocado?
Sentes falta de amor e carinho
Gostarias de estar de volta ao teu velho ninho...
Vejo você apressado, correndo...
E nos olhos tanto cansaço!
Sem tempo para viver, vive apenas do trabalho
Indo ao seu limite máximo
Dando tudo de si pelo objetivo sonhado!
Muitos conseguem chegar a cruzar a linha de chegada
Outras tantas em suas vidas ceifadas – transformação!
Homem–robô, de onde você veio?
Fostes inventado ou fostes alimentado ao seio?
És de carne ou de metal?
Onde está seu coração?
Ou é tudo irreal?
Seus gestos mecânicos, seus movimentos insanos...
Quem é você ou o que você deixou de ser?
Quero te tocar, seu corpo inteiro abraçar!
Mas és frio como gelo
Não entende os meus apelos
Não percebem os meus que eternamente tem te amado
Seus lábios quase não se movem
E não vê os meus que por ti morrem!
Homem de aço, por que não nota quando te abraço?
Continuas aí nessa solidão
Sem sentimento, nem afago...
Caminhas pela rua com tanta lentidão...
Parece perdido e despido de toda emoção!
Arranque do teu peito os fusíveis, o computador...
Abra os olhos para a vida,
E redescubra os efeitos e a magia do meu amor
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
CLÁUDIA (*)
Em teus olhos de criança,
Ainda havia o encanto
Das cantigas de roda,
Da boneca de pano...
Era a menina dos livros esquecidos num canto!
Quando aqui chegastes, cheia de sonhos,
Não sabias, no entanto,
Que o destino te reservara
Um desencanto!
Era como uma rosa desabrochando,
Com seu sorriso cativando...
E, por onde, tu andavas,
Amigos ia deixando...
E, numa tarde tão fria de inverno,
Fostes embora!
Procuro-te pelas ruas
Já não sei onde morar!
Partístes para o paraíso
Ou, quem sabe, para o espaço
Virastes uma estrela
Ou uma gota de orvalho!
(*) Poema dedicado à brasileira Cláudia Branco, de 14 anos, que morreu atropelada por um caminhão na cidade de Hamamatsu, na província de Shizuoka, no Japão, quando retornava para casa de bicicleta. Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
TEMPO (*)
Quanto tempo o tempo tem para ser
Para se perder e compreender-se?
A vida que passa por ele
Que fica no passado ou presente
Sem ele ver
Por que esse tempo é tão curto?
E a tristeza tão eterna?
Por que o tempo leva com ele
A nossa juventude, a nossa magnitude?
Por que ele não pára
No momentos exatos de êxtase?
Tempo perdido, tempo sofrido
Quanto tempo tem ainda para me ver sorrindo?
Páre nesse exato momento
E não deixe que isso seja um rapto
Tempo, ouça a minha voz
E me faça um pouco mais igual ao albatroz
Que voa sobre o mar, tão branco como o luar
Tempo, que passa sem jeito
Que varre as nossas vidas imperfeito
Ouça o meu grito
E não me deixe assim sem um sorriso
Tempo, que não vê o amor que sinto
Que não passa de um ritmo
Tempo no passado
Onde eu tinha sonhado
Com um tempo inacabado
E preso havia me achado
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
SENHOR DA CRIAÇÃO (*)
Eu sou uma estrela nascida
De uma grande explosão
Vaguei pelo universo
Venci a escuridão
Do Senhor da Criação
Recebi por missão
Mudar seus pensamentos
E transformar seu coração
E, de repente, um clarão
Iluminando a vastidão
Me abra um largo sorriso
Me abra um largo sorriso
Me estenda a sua mão
Deixe-me entrar com você
Com todo o meu amor e perdão
Vou te levar de volta a sua infância
De pé o chão
E, nas asas de um grande falcão
Vamos voar livres, sem preocupação
Correremos pelos campos
Nas costas do seu cavalo alazão
Nadaremos na cachoeira
Lá perto do ribeirão
Quero olhar em teus olhos de menino
E ver neles o brilho da paixão
Apesar da noite deixar cair
O véu da escuridão
Quero que ouça a minha voz
E a guarde em seu coração
E lembre-se que o sofrimento do homem
É simplesmente uma opção!
Porque fostes abençoado
Com o poder da criação
E tens dentro de si
Forças para a evolução.
“O homem é o resultado dos seus próprios pensamentos.”
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
YOU (*)
Você, que anda tão inquieto
Procurando por algo tão incerto
Você, que não consegue se encontrar
Deixa-me te achar!
Você, que passa as noites por aí vagando
E eu, aqui, nessa solidão, te amando
Você, indomável corcel
Queria eu de dar o céu
Você, com esses olhos às vezes tão carentes
Que me seduzem completamente
Você, às vezes tão perdido
Não percebe o quanto está me iludindo
Você, com esse ar de menino
Que não vê a vida além do infinito
Você, tão fugaz
Hoje te procuro
Não sei onde estás
Você, tão completo, tão incerto, tão deserto
Tão imerso nesse universo
Você, um momento
Um pedaço de sentimento
Você, doce entardecer
Um longo amanhecer
Você, doce vício
Ou seria um amor fictício?
Você, parte do meu ser
Que me ensinou a viver
E crer no amanhã
Quando, mais uma vez,
Felizes vamos ser!
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
ETERNIDADE (*)
As poesias que nascem de mim
São como um imenso jardim de jasmim
As poesias que afloram em meu peito
São, às vezes, tímidas e sem jeito
A emoção que tento lhe fazer sentir
Não é nada mais do que o amor que sinto por ti
Se lhe falo de coisas suaves,
É porque realmente sinto o que elas me fazem
Se vejo o brilho no espelho
Não é só o reflexo dos meus desejos
É um brilho que nasce dentro de mim
E atravessa a eternidade sem fim
Quando olho as ondas do mar
Sinto o quanto ainda vou lhe amar
Na suavidade da chuva que molha a terra
E nós aqui, quase no final de uma era
E no mundo ainda tanta guerra
Mas as poesias nascem
Dia após dia renascem
Incansáveis, fugazes
Simplesmente incapazes
De tentar te mostrar a intensidade
Do meu amor que irá atravessar infinitamente
Toda eternidade
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
REFLEXO (PLEASANT MEMORY) (*)
A luz que te seduz
Que te conduz
Que te faz crer
Te faz ser e viver
Que te mostra o nada e o tudo
Que te leva a clareza
E a natureza
Da vida vencida
E perdida
Que te faz refletir nos sons do seu coração
Mistério esotérico, paixão...
Buscas longas infinitas, paraísos brilhantes
Como falsos diamantes
Poemas sem nexo
Espelhos sem reflexo
Caminhos moldados em aço e concreto
Da vida de um incrédulo
Que traz nos olhos um pedaço do oceano
Que desliza como pranto
Quando a noite com seu manto
Lhe devolve todo o encanto!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
REVOLTA (*)
Cenas de violência que chocam
Pedaços de gente pelos ares arremessados
Bombas explodindo
A fúria do homem se revelando!
Gases mortíferos a muitos matando
O jornal pinga sangue!
No ar, um cheiro de morte estonteante
Crianças mortas feito animais
Gente que sonha já não pode mais
Por que tanto ódio?
Por que tanto cheiro de crematório?
Em todo canto do mundo poderia se viver em paz
Não sei o que se passa na cabeça desses animais
Gente matando, gente morrendo
Mães em desespero
Revolta!
Olho o jornal e choro
Revolta!
A cena da criança ao lado da mãe morta
Desespero!
Essa loucura precisa acabar
Um pouco mais de paz e dignidade precisam voltar
O sonho morrendo
Gente sofrendo
Homens em desmantelo
Bombas de gás, bombas de dinamite
Bombas de ódio, bombas de vergonha
Guerra medonha!
Por que todos permanecem calados
E ninguém faz nada?
Uma trégua e tudo novamente começa
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
MEU AMIGO, MEU IRMÃO (*)
A nossa vida aqui no Japão seria só solidão
Se não tivéssemos um amigo que nos estendesse a mão,
Que nos ensinasse que a vida pode ser cheia de alegria, aventura e emoção.
Outro dia, conversando com um de nossos irmãos
Me falou que era nordestino, lá das bandas do sertão
Contou-me como veio parar aqui no Japão
E que morria de medo de andar de avião
Seu japonês era arrastado, parecia um trovão
Mas tinha nos lábios um grande sorriso que me enchia o coração.
Falou-me da terra seca, que não havia água não
O gado morria de sede, era pura judiação
E, um dia, não agüentando mais tanta privação
Chamou a mulé e os filhos e disse: “Vou trabaiá lá no Japão!”
A mulé toda espantada sem aceitar a situação
Mas como era caso resorvido, só restava a conformação
E começou então uma grande arrumação
E poucos dias depois desembarcava no Japão
Com o olhar tímido, trazendo na mala jabá, farinha e ilusão
De vortá logo rico e promover uma grande irrigação
Pra nunca mais ver tanta secura no seu pedaço de chão
Os anos foram passando, mas ele não mudou não
E, hoje, todo contente, para o Brasil fez uma ligação
“Ô mulé, me aguarde pois tô vortando, prepare ai doce de macaxeira, paçoca de pilão
E não se esqueça da branquinha para alegrar meu coração.”
E no dia 4 de janeiro, Severino embarcou num avião
Todo cheio de esperança vortô pro seu queridinho pedaço de sertão
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
EMOÇÃO (*)
Surgistes como um vendaval
Varrendo da minha vida a solidão
Levando para longe todas as tristezas
Me devolvendo toda a emoção
Enchestes a minha vida com teu brilho
Iluminando meu coração
Me sinto leve como bolha de sabão
Flutuando pelo espaço, rasgando a escuridão
Em teus braços viajo, me perco no tempo
Me encontro em teu corpo, invado seu coração
E quando a primavera chegar
Caminharemos juntos pelos campos
Em plena floração
E o aroma das flores nos trará suave sensação
E quando chegar o verão, juntos sentados à beira-mar
Veremos o pôr do sol até cair a escuridão
E quando o inverno chegar, e o outono se findar
Aquecidos pelo fogo da lareira, embriagados pelo vinho
Manteremos vivas para sempre as chamas da nossa paixão
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
AH! ESSE AMOR... (*)
Esse amor...
Que faz a gente ficar fora do ar
Esse amor que nos dá asas
Como as de teara para voar
Esse amor que, feito canção
Enche-nos a alma e o coração
Esse amor que vem colorindo o espaço
Com flores e pássaros da mesma estação
Esse amor que enche meus olhos de luz
Roubada da luz que reflete na cruz
Esse amor que suga o néctar da flor
Que resplandece sublime e sem dor
Esse amor que explode
Como fogos de artifício no céu
Clareando a escuridão
Me deixando ver o rosto seu
Esse amor multiforme
Que dia após dia o medo encobre
Esse amor lívido
Que pede pela alteração das cores
Pela diversificação dos sabores
Pela mudança dos valores
Ah! Esse amor que quebra s barreiras
Que faz-me ir além das fronteiras
E ver que me amas a sua maneira!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
ECO (*)
Se você ouvir minha voz te chamando
Finja que não me ouves
Faça de conta que é
O murmúrio do vento chorando
Se a minha voz ecoar forte
Por todos os lados do mundo
Imagine que é apenas
Um bando de pássaros
Sobre o lago voando
Se eu persistir
E continuar te chamando
Corra para muito longe
Atravesse a linha do horizonte
E não olhe para trás
Não me veja chorar
Nas noites de luar, não olhe no espelho
Não deixe a luz entrar
Porque se o brilho atingir o espelho
Me verás!
E a minha voz
Por todo o quarto ecoará
Cubra-o com um lenço
Não deixe a imagem sair dele
Cale a minha voz
Me faça parar de sonhar
Deixe esse grito ecoando perdido
Feito estrela sem brilho
Amanhã a minha voz ainda te chamará
Finja que não me ouves
E a dor vai aumentar tanto
Que um dia a voz se calará
E, no mundo, apenas um eco sobrará!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
O CAMINHO DO PARAÍSO (*)
É manhã...
Os raios de sol banham a nossa cama
Cortinas brancas agitadas pela brisa
E o convite do dia que para fora nos chama
Continuaremos deitados
Recosto minha cabeça em seu peito
Ouvindo assim seu coração me querendo
Afagas os meus cabelos
Suavemente percorre o meu corpo
Com as pontas dos dedos
Seus olhos, o desejo, o amor tão unido
Inexplicavelmente intenso!
Ele pode durar, ser infinito
Ou ser só um único momento!
Abro a janela, respiro profundamente
Deixando entrar em mim
Todo aquele calor envolvente
O perfume do encanto
Milhares de flores despertando
Um vestido branco e, descalça, ando
Corro pelos campos
A mata é cheia de sons, ruídos
Que não passam despercebidos
Sento-me no balanço
Que é empurrado pelas mãos do vento
E ouço sua voz me chamando
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
HORAS (*)
Poucos segundos
Não mais que um minuto
O silêncio do mundo
E o nosso amor no escuro
A voz ecoa no espaço fechado
Suave, terna como seus abraços
Curto é o tempo
Que nos rouba o momento
O relógio malvado não entende
Não fica parado
Segundos feitos de carinho
Tão lindos como se fossem hinos
A hora da despedida tão breve, tão dolorida
Sangra mais que alma ferida
Vou partindo
E, pelo espelho, seus olhos refletindo
Vem a curva da rua
Me rouba a imagem sua
Quero voltar, sair correndo
Em teus braços me jogar
O tempo é curto, não pode parar
O que faço das horas sem você
Os minutos sem te ver
Os segundos que pareço morrer?
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
POESIA (*)
O amor, suave como gotas de orvalho na manhã
Límpido como contas de puro cristal
Na imensidão do céu azul voando nas asas de uma borboleta
Atravessando vales banhados pela luz do sol
Tocando os picos das mais altas montanhas feitas de sonho e poesia
Mergulho nas correntezas de um riacho qualquer
E, juntos, corremos rumo ao mar
Todo sonho, suavidade da vida, feita em pura magia ao som de doces melodias
Um momento poético, onde o toque é pura sensação de liberdade
Amor, sonho encantado, onde tudo se transforma
Sentimento que motiva nossas vidas
Nos levando ao êxtase de nossa existência
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
FRAGILIDADE OU CORAGEM?
Os meus dois lados em luta constante
Descobrem o mundo em que vivo
E um outro distante
Eu, dividida ao meio
Metade sou frágil, metade sou forte guerreira
O lado frágil é o que a minha aparência traz à tona
Mas dentro de mim existe uma força sobre-humana
Pareço estar sempre em plena harmonia
Esse é o lado que fragiliza
Às vezes me perco pela poesia
Não se engane, sou forte como muralha
Apesar das arranhaduras
Não caio ao primeiro combate
Novamente vem o lado frágil
Quero colo, abraço, amor, proteção e afago
Mas o lado forte vai à luta
Pela minha vida, pela vida dos meus filhos
Que precisam de proteção e ajuda
Não posso desistir nunca, tenho uma meta
Um alvo a acertar
E nesse mundo que vivo hoje
Alguma coisa de mim deixar
Você que me vê por fora
Não pense que sou dócil, calma
Acomodada e sem coragem
Engana-se, meus pensamentos às vezes parecem suaves
Mas tem o outro lado
Que me enche de garra e coragem
Minha cabeça é como máquina
Que dia e noite pensa, planeja
E tenta entender as coisas
Que às vezes você tenta esquecer
Estamos num país que aliena
Mas de mim não sinto pena
Por saber o que quero
Ainda estou aqui
Pra poder mudar a minha vida
E um dia voltar para o meu país
O lado frágil novamente vem à tona
Me enche a cabeça de sonhos
E me faz parar no meio da ponte
Desvia o meu olhar fito no horizonte
Me enganando com sonho pérfido insinuante
E agora, qual dos dois lados devo deixar vir à tona?
De um lado, tem a minha prole
Do outro, o homem que amo!
Cidade de Fukuroi, Japão - 30/8/95
Se, algumas vezes, eu não agüentar a distância e acabar te ligando, me perdoe...
No seu coração talvez já não tenha mais espaço para mim...
Não te condeno, porque sei que a distância ajuda no esquecimento...
Eu sou diferente, contraditória, romântica e te amo como jamais pensei que fosse amar alguém...
Sei que nesse amor não pode haver culpa, porque eu não queria amar você...
Mas aconteceu, e foi ótimo! Você nunca irá saber o tamanho desse sentimento... Também já não importa mais!
Tem dia que fico parada em frente ao telefone, esperando que você me ligue... Que solidão angustiante! Saber que você está tão próximo e, ao mesmo tempo, tão longe!
Eu queria ter asas brancas enormes... Deixar que o vento me conduza e pousar bem na sua frente. Ou ser mágico... Quem sabe até mesmo uma bruxa para te ver numa bola de cristal, te transportar num passe de mágica, estar com você todos os segundos da minha vida.
Às vezes, olho para a natureza tentando te ver, te achar nela, te sentir no todo.
Amo você da forma mais pura que alguém já te amou, ou irá te amar. Não é só corpo... Amo o seu espírito, a sua essência, a luz e a força da sua vida. Mesmo que nunca mais te encontre, sempre vou amar você, e nunca vou te esquecer!
Um homem, uma mulher…
Uma história de amor como outra qualquer
Duas pessoas, dois mundos
E, no fundo, o amor sobre tudo!
Lados diferentes, lados iguais
Duas contradições quase fatais!
Um homem que é pura paixão;
Uma mulher com muita imaginação!
Duas pessoas com muitas afinidades;
O mesmo dom e uma só coragem!
Uma escreve a realidade,
A outra inventa falsas verdades...
Misturando ficção,
Surge assim uma grande paixão!
Um homem de olhar sedutor...
Quando me olha envolve meu corpo
Numa onda de calor!
Uma mulher que não vive com os pés no chão;
Vive criando mil histórias para fugir da solidão!
Um homem que tem o seu presente,
Uma mulher e um sonho aparente.
No momento, tudo não passa de um amor roubado
De desejos não revelados,
De um momento muito esperado!
Talvez qualquer dia, um encontro marcado,
Um beijo prolongado, o amor consumado!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
Concurso Literário jornal TUDO BEM-Banespa
O poema “A Solidão de Um Homem que Perdeu a Emoção!” foi o trabalho mais votado pelo pessoal da nossa redação, num páreo bem concorrido com outros ótimos trabalhos que recebemos. Solange Otsuka, ao compor frases angustiantemente belas, faz de seu poema um brado de amor, um grito de alerta ao homem que se funde às máquinas e perde seus sentimentos:
“Quero te tocar
Seu corpo inteiro abraçar
Mas és frio como gelo
Não entende meus apelos”
(Da redação do jornal TUDO BEM do Japão)
“Conheci Solange Otsuka no Japão, quando lá trabalhava como sucursalista do jornal Folha Mundial. Assim, a primeira coisa que precisa ser dita a seu respeito é que, para entender a poesia dessa mulher batalhadora, tem que estar dentro de um contexto geográfico, o do Japão. Só mesmo quem viveu a dura vida de dekassegui é quem consegue assimilar plenamente sua poesia. (Levi F. Araújo)
A SOLIDÃO DE UM HOMEM QUE PERDEU A EMOÇÃO (*)
Você, que chega aqui trazendo no peito
Toda certeza de dias perfeitos;
Que traz nos olhos toda a coragem
De um homem que enfrenta a sua verdade;
Que luta o dia-a-dia incansável, imbatível...
Dura realidade!
Na longa jornada de trabalho,
Na triste solidão desse apato
A frieza, a indiferença das máquinas que você controla,
E as duras horas extras que te apavora...
Homem solitário, será que vale a pena tanta renúncia
E sentir-se tão deslocado?
Sentes falta de amor e carinho
Gostarias de estar de volta ao teu velho ninho...
Vejo você apressado, correndo...
E nos olhos tanto cansaço!
Sem tempo para viver, vive apenas do trabalho
Indo ao seu limite máximo
Dando tudo de si pelo objetivo sonhado!
Muitos conseguem chegar a cruzar a linha de chegada
Outras tantas em suas vidas ceifadas – transformação!
Homem–robô, de onde você veio?
Fostes inventado ou fostes alimentado ao seio?
És de carne ou de metal?
Onde está seu coração?
Ou é tudo irreal?
Seus gestos mecânicos, seus movimentos insanos...
Quem é você ou o que você deixou de ser?
Quero te tocar, seu corpo inteiro abraçar!
Mas és frio como gelo
Não entende os meus apelos
Não percebem os meus que eternamente tem te amado
Seus lábios quase não se movem
E não vê os meus que por ti morrem!
Homem de aço, por que não nota quando te abraço?
Continuas aí nessa solidão
Sem sentimento, nem afago...
Caminhas pela rua com tanta lentidão...
Parece perdido e despido de toda emoção!
Arranque do teu peito os fusíveis, o computador...
Abra os olhos para a vida,
E redescubra os efeitos e a magia do meu amor
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
CLÁUDIA (*)
Em teus olhos de criança,
Ainda havia o encanto
Das cantigas de roda,
Da boneca de pano...
Era a menina dos livros esquecidos num canto!
Quando aqui chegastes, cheia de sonhos,
Não sabias, no entanto,
Que o destino te reservara
Um desencanto!
Era como uma rosa desabrochando,
Com seu sorriso cativando...
E, por onde, tu andavas,
Amigos ia deixando...
E, numa tarde tão fria de inverno,
Fostes embora!
Procuro-te pelas ruas
Já não sei onde morar!
Partístes para o paraíso
Ou, quem sabe, para o espaço
Virastes uma estrela
Ou uma gota de orvalho!
(*) Poema dedicado à brasileira Cláudia Branco, de 14 anos, que morreu atropelada por um caminhão na cidade de Hamamatsu, na província de Shizuoka, no Japão, quando retornava para casa de bicicleta. Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
TEMPO (*)
Quanto tempo o tempo tem para ser
Para se perder e compreender-se?
A vida que passa por ele
Que fica no passado ou presente
Sem ele ver
Por que esse tempo é tão curto?
E a tristeza tão eterna?
Por que o tempo leva com ele
A nossa juventude, a nossa magnitude?
Por que ele não pára
No momentos exatos de êxtase?
Tempo perdido, tempo sofrido
Quanto tempo tem ainda para me ver sorrindo?
Páre nesse exato momento
E não deixe que isso seja um rapto
Tempo, ouça a minha voz
E me faça um pouco mais igual ao albatroz
Que voa sobre o mar, tão branco como o luar
Tempo, que passa sem jeito
Que varre as nossas vidas imperfeito
Ouça o meu grito
E não me deixe assim sem um sorriso
Tempo, que não vê o amor que sinto
Que não passa de um ritmo
Tempo no passado
Onde eu tinha sonhado
Com um tempo inacabado
E preso havia me achado
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
SENHOR DA CRIAÇÃO (*)
Eu sou uma estrela nascida
De uma grande explosão
Vaguei pelo universo
Venci a escuridão
Do Senhor da Criação
Recebi por missão
Mudar seus pensamentos
E transformar seu coração
E, de repente, um clarão
Iluminando a vastidão
Me abra um largo sorriso
Me abra um largo sorriso
Me estenda a sua mão
Deixe-me entrar com você
Com todo o meu amor e perdão
Vou te levar de volta a sua infância
De pé o chão
E, nas asas de um grande falcão
Vamos voar livres, sem preocupação
Correremos pelos campos
Nas costas do seu cavalo alazão
Nadaremos na cachoeira
Lá perto do ribeirão
Quero olhar em teus olhos de menino
E ver neles o brilho da paixão
Apesar da noite deixar cair
O véu da escuridão
Quero que ouça a minha voz
E a guarde em seu coração
E lembre-se que o sofrimento do homem
É simplesmente uma opção!
Porque fostes abençoado
Com o poder da criação
E tens dentro de si
Forças para a evolução.
“O homem é o resultado dos seus próprios pensamentos.”
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
YOU (*)
Você, que anda tão inquieto
Procurando por algo tão incerto
Você, que não consegue se encontrar
Deixa-me te achar!
Você, que passa as noites por aí vagando
E eu, aqui, nessa solidão, te amando
Você, indomável corcel
Queria eu de dar o céu
Você, com esses olhos às vezes tão carentes
Que me seduzem completamente
Você, às vezes tão perdido
Não percebe o quanto está me iludindo
Você, com esse ar de menino
Que não vê a vida além do infinito
Você, tão fugaz
Hoje te procuro
Não sei onde estás
Você, tão completo, tão incerto, tão deserto
Tão imerso nesse universo
Você, um momento
Um pedaço de sentimento
Você, doce entardecer
Um longo amanhecer
Você, doce vício
Ou seria um amor fictício?
Você, parte do meu ser
Que me ensinou a viver
E crer no amanhã
Quando, mais uma vez,
Felizes vamos ser!
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
ETERNIDADE (*)
As poesias que nascem de mim
São como um imenso jardim de jasmim
As poesias que afloram em meu peito
São, às vezes, tímidas e sem jeito
A emoção que tento lhe fazer sentir
Não é nada mais do que o amor que sinto por ti
Se lhe falo de coisas suaves,
É porque realmente sinto o que elas me fazem
Se vejo o brilho no espelho
Não é só o reflexo dos meus desejos
É um brilho que nasce dentro de mim
E atravessa a eternidade sem fim
Quando olho as ondas do mar
Sinto o quanto ainda vou lhe amar
Na suavidade da chuva que molha a terra
E nós aqui, quase no final de uma era
E no mundo ainda tanta guerra
Mas as poesias nascem
Dia após dia renascem
Incansáveis, fugazes
Simplesmente incapazes
De tentar te mostrar a intensidade
Do meu amor que irá atravessar infinitamente
Toda eternidade
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
REFLEXO (PLEASANT MEMORY) (*)
A luz que te seduz
Que te conduz
Que te faz crer
Te faz ser e viver
Que te mostra o nada e o tudo
Que te leva a clareza
E a natureza
Da vida vencida
E perdida
Que te faz refletir nos sons do seu coração
Mistério esotérico, paixão...
Buscas longas infinitas, paraísos brilhantes
Como falsos diamantes
Poemas sem nexo
Espelhos sem reflexo
Caminhos moldados em aço e concreto
Da vida de um incrédulo
Que traz nos olhos um pedaço do oceano
Que desliza como pranto
Quando a noite com seu manto
Lhe devolve todo o encanto!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
REVOLTA (*)
Cenas de violência que chocam
Pedaços de gente pelos ares arremessados
Bombas explodindo
A fúria do homem se revelando!
Gases mortíferos a muitos matando
O jornal pinga sangue!
No ar, um cheiro de morte estonteante
Crianças mortas feito animais
Gente que sonha já não pode mais
Por que tanto ódio?
Por que tanto cheiro de crematório?
Em todo canto do mundo poderia se viver em paz
Não sei o que se passa na cabeça desses animais
Gente matando, gente morrendo
Mães em desespero
Revolta!
Olho o jornal e choro
Revolta!
A cena da criança ao lado da mãe morta
Desespero!
Essa loucura precisa acabar
Um pouco mais de paz e dignidade precisam voltar
O sonho morrendo
Gente sofrendo
Homens em desmantelo
Bombas de gás, bombas de dinamite
Bombas de ódio, bombas de vergonha
Guerra medonha!
Por que todos permanecem calados
E ninguém faz nada?
Uma trégua e tudo novamente começa
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
MEU AMIGO, MEU IRMÃO (*)
A nossa vida aqui no Japão seria só solidão
Se não tivéssemos um amigo que nos estendesse a mão,
Que nos ensinasse que a vida pode ser cheia de alegria, aventura e emoção.
Outro dia, conversando com um de nossos irmãos
Me falou que era nordestino, lá das bandas do sertão
Contou-me como veio parar aqui no Japão
E que morria de medo de andar de avião
Seu japonês era arrastado, parecia um trovão
Mas tinha nos lábios um grande sorriso que me enchia o coração.
Falou-me da terra seca, que não havia água não
O gado morria de sede, era pura judiação
E, um dia, não agüentando mais tanta privação
Chamou a mulé e os filhos e disse: “Vou trabaiá lá no Japão!”
A mulé toda espantada sem aceitar a situação
Mas como era caso resorvido, só restava a conformação
E começou então uma grande arrumação
E poucos dias depois desembarcava no Japão
Com o olhar tímido, trazendo na mala jabá, farinha e ilusão
De vortá logo rico e promover uma grande irrigação
Pra nunca mais ver tanta secura no seu pedaço de chão
Os anos foram passando, mas ele não mudou não
E, hoje, todo contente, para o Brasil fez uma ligação
“Ô mulé, me aguarde pois tô vortando, prepare ai doce de macaxeira, paçoca de pilão
E não se esqueça da branquinha para alegrar meu coração.”
E no dia 4 de janeiro, Severino embarcou num avião
Todo cheio de esperança vortô pro seu queridinho pedaço de sertão
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
EMOÇÃO (*)
Surgistes como um vendaval
Varrendo da minha vida a solidão
Levando para longe todas as tristezas
Me devolvendo toda a emoção
Enchestes a minha vida com teu brilho
Iluminando meu coração
Me sinto leve como bolha de sabão
Flutuando pelo espaço, rasgando a escuridão
Em teus braços viajo, me perco no tempo
Me encontro em teu corpo, invado seu coração
E quando a primavera chegar
Caminharemos juntos pelos campos
Em plena floração
E o aroma das flores nos trará suave sensação
E quando chegar o verão, juntos sentados à beira-mar
Veremos o pôr do sol até cair a escuridão
E quando o inverno chegar, e o outono se findar
Aquecidos pelo fogo da lareira, embriagados pelo vinho
Manteremos vivas para sempre as chamas da nossa paixão
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
AH! ESSE AMOR... (*)
Esse amor...
Que faz a gente ficar fora do ar
Esse amor que nos dá asas
Como as de teara para voar
Esse amor que, feito canção
Enche-nos a alma e o coração
Esse amor que vem colorindo o espaço
Com flores e pássaros da mesma estação
Esse amor que enche meus olhos de luz
Roubada da luz que reflete na cruz
Esse amor que suga o néctar da flor
Que resplandece sublime e sem dor
Esse amor que explode
Como fogos de artifício no céu
Clareando a escuridão
Me deixando ver o rosto seu
Esse amor multiforme
Que dia após dia o medo encobre
Esse amor lívido
Que pede pela alteração das cores
Pela diversificação dos sabores
Pela mudança dos valores
Ah! Esse amor que quebra s barreiras
Que faz-me ir além das fronteiras
E ver que me amas a sua maneira!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
ECO (*)
Se você ouvir minha voz te chamando
Finja que não me ouves
Faça de conta que é
O murmúrio do vento chorando
Se a minha voz ecoar forte
Por todos os lados do mundo
Imagine que é apenas
Um bando de pássaros
Sobre o lago voando
Se eu persistir
E continuar te chamando
Corra para muito longe
Atravesse a linha do horizonte
E não olhe para trás
Não me veja chorar
Nas noites de luar, não olhe no espelho
Não deixe a luz entrar
Porque se o brilho atingir o espelho
Me verás!
E a minha voz
Por todo o quarto ecoará
Cubra-o com um lenço
Não deixe a imagem sair dele
Cale a minha voz
Me faça parar de sonhar
Deixe esse grito ecoando perdido
Feito estrela sem brilho
Amanhã a minha voz ainda te chamará
Finja que não me ouves
E a dor vai aumentar tanto
Que um dia a voz se calará
E, no mundo, apenas um eco sobrará!
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
O CAMINHO DO PARAÍSO (*)
É manhã...
Os raios de sol banham a nossa cama
Cortinas brancas agitadas pela brisa
E o convite do dia que para fora nos chama
Continuaremos deitados
Recosto minha cabeça em seu peito
Ouvindo assim seu coração me querendo
Afagas os meus cabelos
Suavemente percorre o meu corpo
Com as pontas dos dedos
Seus olhos, o desejo, o amor tão unido
Inexplicavelmente intenso!
Ele pode durar, ser infinito
Ou ser só um único momento!
Abro a janela, respiro profundamente
Deixando entrar em mim
Todo aquele calor envolvente
O perfume do encanto
Milhares de flores despertando
Um vestido branco e, descalça, ando
Corro pelos campos
A mata é cheia de sons, ruídos
Que não passam despercebidos
Sento-me no balanço
Que é empurrado pelas mãos do vento
E ouço sua voz me chamando
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
HORAS (*)
Poucos segundos
Não mais que um minuto
O silêncio do mundo
E o nosso amor no escuro
A voz ecoa no espaço fechado
Suave, terna como seus abraços
Curto é o tempo
Que nos rouba o momento
O relógio malvado não entende
Não fica parado
Segundos feitos de carinho
Tão lindos como se fossem hinos
A hora da despedida tão breve, tão dolorida
Sangra mais que alma ferida
Vou partindo
E, pelo espelho, seus olhos refletindo
Vem a curva da rua
Me rouba a imagem sua
Quero voltar, sair correndo
Em teus braços me jogar
O tempo é curto, não pode parar
O que faço das horas sem você
Os minutos sem te ver
Os segundos que pareço morrer?
(*) Publicado originalmente no jornal TUDO BEM do Japão.
POESIA (*)
O amor, suave como gotas de orvalho na manhã
Límpido como contas de puro cristal
Na imensidão do céu azul voando nas asas de uma borboleta
Atravessando vales banhados pela luz do sol
Tocando os picos das mais altas montanhas feitas de sonho e poesia
Mergulho nas correntezas de um riacho qualquer
E, juntos, corremos rumo ao mar
Todo sonho, suavidade da vida, feita em pura magia ao som de doces melodias
Um momento poético, onde o toque é pura sensação de liberdade
Amor, sonho encantado, onde tudo se transforma
Sentimento que motiva nossas vidas
Nos levando ao êxtase de nossa existência
(*) Publicado originalmente no jornal FOLHA MUNDIAL do Japão.
FRAGILIDADE OU CORAGEM?
Os meus dois lados em luta constante
Descobrem o mundo em que vivo
E um outro distante
Eu, dividida ao meio
Metade sou frágil, metade sou forte guerreira
O lado frágil é o que a minha aparência traz à tona
Mas dentro de mim existe uma força sobre-humana
Pareço estar sempre em plena harmonia
Esse é o lado que fragiliza
Às vezes me perco pela poesia
Não se engane, sou forte como muralha
Apesar das arranhaduras
Não caio ao primeiro combate
Novamente vem o lado frágil
Quero colo, abraço, amor, proteção e afago
Mas o lado forte vai à luta
Pela minha vida, pela vida dos meus filhos
Que precisam de proteção e ajuda
Não posso desistir nunca, tenho uma meta
Um alvo a acertar
E nesse mundo que vivo hoje
Alguma coisa de mim deixar
Você que me vê por fora
Não pense que sou dócil, calma
Acomodada e sem coragem
Engana-se, meus pensamentos às vezes parecem suaves
Mas tem o outro lado
Que me enche de garra e coragem
Minha cabeça é como máquina
Que dia e noite pensa, planeja
E tenta entender as coisas
Que às vezes você tenta esquecer
Estamos num país que aliena
Mas de mim não sinto pena
Por saber o que quero
Ainda estou aqui
Pra poder mudar a minha vida
E um dia voltar para o meu país
O lado frágil novamente vem à tona
Me enche a cabeça de sonhos
E me faz parar no meio da ponte
Desvia o meu olhar fito no horizonte
Me enganando com sonho pérfido insinuante
E agora, qual dos dois lados devo deixar vir à tona?
De um lado, tem a minha prole
Do outro, o homem que amo!
Cidade de Fukuroi, Japão - 30/8/95
Se, algumas vezes, eu não agüentar a distância e acabar te ligando, me perdoe...
No seu coração talvez já não tenha mais espaço para mim...
Não te condeno, porque sei que a distância ajuda no esquecimento...
Eu sou diferente, contraditória, romântica e te amo como jamais pensei que fosse amar alguém...
Sei que nesse amor não pode haver culpa, porque eu não queria amar você...
Mas aconteceu, e foi ótimo! Você nunca irá saber o tamanho desse sentimento... Também já não importa mais!
Tem dia que fico parada em frente ao telefone, esperando que você me ligue... Que solidão angustiante! Saber que você está tão próximo e, ao mesmo tempo, tão longe!
Eu queria ter asas brancas enormes... Deixar que o vento me conduza e pousar bem na sua frente. Ou ser mágico... Quem sabe até mesmo uma bruxa para te ver numa bola de cristal, te transportar num passe de mágica, estar com você todos os segundos da minha vida.
Às vezes, olho para a natureza tentando te ver, te achar nela, te sentir no todo.
Amo você da forma mais pura que alguém já te amou, ou irá te amar. Não é só corpo... Amo o seu espírito, a sua essência, a luz e a força da sua vida. Mesmo que nunca mais te encontre, sempre vou amar você, e nunca vou te esquecer!

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